Um relato-convite nada ortodoxo e bastante displicente

    De junho de 2014, até julho de 2017, se passaram mais de três anos, contando quatro edições do projeto “O Caminho do Sertão – De Sagarana ao Grande Sertão: Veredas”.

   O marco temporal de quatro edições acompanhou uma linha de mudanças na realidade social de nosso país, sentida expressivamente pelas classes menos abastadas, além de setores “marginalizados” pelas grandes iniciativas políticas e econômicas, como educação e cultura. No espaço de nossa ação os ganhos foram substanciais, tendo por base uma dinâmica cada vez maior de diálogos com a dimensão social do Território Arinos-Chapada*. Ganhamos em sorrisos, em conversas nas varandas, em cafés tomados e apertos de mãos.

   Em três das quatro edições de nosso projeto (2015, 2016 e 2017), trabalhamos com cinco vezes menos o orçamento mínimo necessário para se executar um projeto da dimensão do Caminho, seguindo os valores de mercado. O levantamento de dados aponta 540 inscrições para à jornada, além de 376 inscrições para o edital de vivências em comunicação, contando somente números de 2016 e 2017. Adentrar o sertão mineiro é um desejo de muitos, dos setores mais variados de nossa sociedade complexa. Comunicadores, servidores públicos, cientistas, administrados, produtores culturais, midialivristas, pesquisadores, professores universitários, atletas etc.

   O Caminho proporciona uma experiência singular para cada pessoa, sendo afetadas conforme seus interesses, expectativas e sonhos, quando entram em diálogo com o dia-a-dia da jornada. A proposta bebe na literatura de Guimarães Rosa, sendo que na edição 2017 a rota aproximou-se ainda mais dos possíveis traçados feitos pelo personagem Riobaldo e seu Bando na região, (da melhor forma possível, levando em conta a icnografia e dimensões litero-geográficas que nossas pesquisas apontaram). Mas, qual Sertão foi visto pelos sonhadores? Uma paisagem quase mística das áreas preservadas, pastos, veredas, o próprio Rio Urucuia, mas também chapadas devastas pelo uso intensivo (e extensivo) de milhares de hectares para plantação de soja, milho, feijão e sementes. Costuma-se dizer entre aqueles que propõem o Caminho, que nossa jornada é um convite, um caminho em si, de fato, mas um convite para o retorno, seja para o consumo turístico das belezas naturais do território, mas também para que se lance um olhar mais aprofundado para a complexidade das relações socioeconômicas que se estendem em cada situação vivenciada.

   Não é sem cuidado que cada um dos passos dados nas areias dos ribeirões e nas margens das veredas são dados. Deixamos aqui, neste pequeno relato, mais um convite para todos os que um dia colocaram suas disposições para percorrer os buritizais em alguma das edições d’Caminho, para que ecoem estas mesmas disposições em suas próprias dinâmicas, projetos e perspectivas. Que as experiências e reflexões propiciadas em sua passagem pelo Sertão Mineiro reverberem, assim como os sorrisos, dores, amores e mostras de companheirismo vividas nos costumeiros nove dias de imersão sertaneja.

   Nós, enquanto Caminho, também seguimos em um constante esforço e aprendizado, imaginando possibilidades de oferecer uma melhor experiência, assim como um retorno e atuação positiva no\para o Território. O convite para a edição 2018 ainda não pode ser feito, visto que estamos buscando meios para viabilizar mais uma edição (a de cinco anos!).

  Entretanto, sementes plantadas, ecos nos espíritos.

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Um relato-convite nada ortodoxo e bastante displicente de: Guidyon, caminhante e meio enxerido, que relembrou o Caminho de 2014, que para ele ainda não acabou.

* A denominação “Território Arinos-Chapada” foi defendida pelo Professor Doutor Gustavo Meyer, em sua tese.

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