Revivendo o Caminho do Sertão – Segundo dia

Dando seguimento à proposta de reviver, rememorar por meio das palavras, imagens e sons, trazemos hoje o relato de nosso grande parceiro e membro da comissão que estruturou todo o projeto do caminho, Everardo de Aguiar Lopes, sobre o segundo dia de caminhada, confira:

 O dia seguinte é o seguinte!

Depois de tantas pequenas histórias do primeiro dia e de andar 31 km, lavar o rosto com a água do rio Urucuia, uma janta de prima, conversas de boteco, pedidos de acolhimento nas pequenas casas, ouvir uma longa exposição da história sobre região e seus personagens pelo mestre XIKO Mendes e outras tantas histórias pelo terraço público e conversas com as figuras que são o rosto da região para a conquista de uma foto e, a foto sem permissão de um céu estrelado com a igrejinha ao fundo com se estivesse pousada na história dos seus personagens! Não resta outra cosia se não agradecer da seguinte maneira: Eita primeira noite porrete!

No segundo dia da caminhada, pela manhã, algo de novo tomou conta de mim! As dores no corpo, os pequenos comentários, o deslumbre, a preguiça, arrumar a mochila, desmontar a barraca, a curiosidade de saber como foi a noite do outro, da outra, de todas e todos, o café da manhã e a poesia que Maria fez para nós, caminhantes!!! Puts foi de arrepiar, ela com a sua voz, sua simpatia, sua força, sua alegria, sua raiz fincada na tradição do grande coração do sertão: Veredas fez eu me arrepiar e bater palmas de gratidão!

Nunca é fácil depois de tantas boas emoções e liberdade do olhar, do sentir, do ouvir, do  tocar, voltar a rotina por alguns minutos e ter que ouvir ou dizer que a realidade do segundo dia são 33 km! Vamos lá!

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“Olhei para os desafios do segundo dia com um sentimento da entrega e não da conquista […]” – Everardo Aguiar Foto: NINJA

Olhei para os desafios do segundo dia com um sentimento da entrega e não da conquista, é como se o ambiente, chão, poeira, sol, cerrado, vereda, vozes, cantos,  te permitissem penetrar em suas entranhas para serem exploradas pela a alegria da união, pela energia do fluxo de outros sistemas que não seja o da dor, mais o da vida em abundância!

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“…é como se o ambiente, chão, poeira, sol, cerrado, vereda, vozes, cantos, te permitissem penetrar em suas entranhas […]” – Everardo Aguiar Foto: NINJA

Caminho e me misturo, converso com quem caminha ao meu lado, vou criando imagens, e me perguntando, o que eu faço aqui nesse mundo por mim tão desconhecido como o meu próprio deserto? Caminhando vou deixando outras conexões tomar conta dos meus pensamentos, como uma flecha lançada, logo percebo que pouco conheço a força, a beleza, a riqueza do bioma cerrado, sua rica diversidade ia sendo contada por quem vive nesse grande território, o meu silencio, as pernas sem controle andando para frente, talvez seja o simbólico de um imaginário de tudo que eu sinto a luz do sol e o céu azul, seja parte de um Brasil profundo que se transforma violentando a floresta retorcida de raiz profunda, que é capaz de recriar a cada ciclo, cultivando as vidas, as culturas, as tradições e a perseverança!

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Caminhar pelo Brasil profundo; pessoas, sonhos, emoções, vidas no sertão. Foto: Lidyane Ponciano

Cheguei, igrejinha me acolheu, acolheu um por um, ofereceu comida, água fresca e com muita euforia nos mostrou o caminho do Rio Urucuia, mergulhei de corpo e alma, brinquei com a sua água como uma criança que brinca no colo da mão, ouvi o som da sua correnteza senti a energia que brota das nascentes subterrâneas que a floresta cerrada se retorce para mostrar a necessidade da sua preservação e da sua importância para a vida das pessoas e, por tanto, a continuidade das culturas e das tradições!

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Mergulhei nas águas deste rio, deste rio que corre em meu coração. Foto: Lidyane Ponciano

  O escalda pés, (água morna, sal grosso e vinagre), alivia a dor nos pés de alguns caminhantes e me enche de alegria por poder fazer massagens naqueles pés, logo depois fomos conhecer o resultado da oficina coordenado por um dos caminhantes na escola de ensino fundamental de igrejinha, uma maravilha, significativa, dimensiona em mim e em outros caminhantes a riqueza do simples, o fogo e os estandartes com os desenhos inspiram confiança de a cultura está viva e latente!

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Oficina ministrada por caminhantes – Igrejinha (Vila Bom Jesus) – Foto: Mariana Cabral

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O escalda pés no fim do dia. Foto: Lidyane Ponciano

Não tem dor, nem cansaço que me leve a cama, os celulares viram apenas máquinas fotográficas, as luzes das velas dão a dimensão que ilumina a minha alma e reflete no olhar fixos dos caminhantes, o som da viola, a voz lenta e a marcação do tambor traduz o sentimento profundo dos foliões!

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Entrega de livros para a comunidade. Cultura, tradições, relatos, obras sobre os sertões. Foto: Lidyane Ponciano

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Música, Folia, Tradição. O povo de Igrejinha e a recepção do Sertão. Foto: Lidyane Ponciano

E a música, kkkkkk
Grato por tudo e muita paz
Everardo


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