O sertão mineiro é pura poesia

No primeiro dia do encontro “O Caminho do Sertão. De Sagarana ao Grande Sertão: Veredas”, a manhã foi para recepcionar os caminhantes e no período da tarde houveram várias atividades na Geodésica do Cresertão, dentre ela a leitura de uma poesia de autoria de Nísio Miranda. O texto foi interpretado pelo artista Abder Paz. Confira as fotos e o poema.

19-07-2014 atividade tarde geodesica em Sagarana - Foto Lidyane Ponciano - baixa (5 de 14)  19-07-2014 atividade tarde geodesica em Sagarana - Foto Lidyane Ponciano - baixa (7 de 14)

À Guisa de um Guia para o “Caminho do Sertão: de Sagarana ao Grande Sertão: Veredas”

(Por todos os caminhos, caminhadas e caminhantes em que podemos crer)

Caminheiro, ao caminhares,

além do que vês – caminho –

encontrarás, no sertão,

o teu ninho e o teu

Da imensidão ­ resoluto ­

do sertão, a contemplar,

a intrigante questão

“de onde viemos, que somos?”

de tua alma assuntará:

­ Em qual caminho,

em qual vereda,

minha travessia se dará?

Quanto vale o que carrego,

quanto tenho a partilhar?

Quando encontrarei sossego,

quando angústia e esperança,

sussurros de além­mundo,

diálogo ou um profundo

silêncio a me perscrutar?

Na tua roseana jornada,

de uma obra a outra,

a estrada te dará,

do lume, o excerto,

de transcenderes

o simples “de onde partir

Nada é óbvio ou banal.

Da paisagem retorcida em

caules de árida vida,

por ti, só, perceberás

que ali é que aflora a essência

da fortaleza e da paciência

do sertanejo e dos rios.

Tua sombra, poeira e sol,

pavimentando a estrada,

a provocar­te a querença

para a escuta generosa

de tudo o que sabe a utopia

na profusão do arrebol,

te farão forte, o bastante,

pra promover um levante

e resgatar o sertão

(o infinito sertão de Rosa)

que dentro de ti se encerra.

Saberás, ao fim dos passos

que não há mais fortes laços

dos que se constroem

na sanha

de resistir e amar;

de ser herói e bandido,

sendo palhaço ou mendigo,

um andarilho ou doutor,

cultuando as nobres artes,

saber línguas e verdades,

mas benzer­se na humildade

dos que laboram a esperança.

Vislumbrar o próprio umbigo,

mas também a aliança

que faz de nós um só corpo

no uno e na alteridade,

no todo ou no singular.

Saberás, ao fim de tudo

­ caminhante embevecido

pela ascensão do andar ­

que o sertão faz­se mundo

e está aqui e acolá,

ou bem dentro de nós

do que, de Deus, em nós, há.

Teus caminhos, passos meus,

de braços dados com a história

­ como um Quixote sem glória,

dúbio, descrente, a vagar –

revelarão a maior

das forças que (em vão?)

nos movem agora

e um sábio já versejara:

“Caminheiro, não há caminho.

O caminho se faz ao caminhar…”

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