Quinto Dia – (Do Córrego Garimpeiro ao Ribeirão de Areia)

As chapadas brasileiras circunscritas nos domínios do cerrado se fizeram desde tempo muito remoto: a) quando os continentes sulamericano e africano iniciaram movimento tectônico de afastamento entre si, há cerca de 220 milhões de anos atrás; e b) milhões de anos mais tarde, há aproximadamente 65 milhões de anos atrás quando as placas tectônicas de Nazca e Sulamericana, do lado do Pacífico, ao se chocarem, formaram as cadeias de montanhas da cordilheira dos Andes. O que, por sua vez, pelo movimento de soerguimento das rochas andinas influiu inversamente, rebaixando o relevo onde hoje está o Pantanal sulamericano, mato-grossense, por necessidade de equilíbrio isostático, de antigas altitudes entre 1000 e 1200 metros acima do nível do mar para os atuais 200 metros médios; bem como influiu na inversão do sentido do curso do primitivo rio Amazonas que, até 65 milhões de anos atrás, seguia em busca do Pacífico, não para o Atlântico. Do Planalto Central brasileiro, de suas bordas, correm os principais cursos d´água que vão alimentar os grandes rios brasileiros de todas as regiões do país, a exemplo do São Francisco (seus afluentes, como o Urucuia) em Minas Gerais.

João Guimarães, membro de quatro agremiações e sociedades geográficas no Brasil, entre outras coisas, também foi o Secretário de Fronteiras nacional (equivalente ao posto de Ministro), portanto, desenvolvia atividades como geógrafo. E foi geógrafo num tempo em que o modelo universitário brasileiro ainda dava seus primeiros passos (a Universidade de São Paulo havia sido criada cerca de 20 anos antes) e que, portanto, a tarefa de “descobrir o Brasil aos brasileiros”, da organização dos conhecimentos pátrios, muito ficou por conta dos escritores. Nessa condição teve ele, Guimarães Rosa, acesso a todas as fontes de informações valiosas sobre a história natural brasileira e, como escritor modernista da terceira geração (aquela que, desde os anos de 1940, foi protagonizada por outros ilustres estreantes nas letras nacionais, como Clarisse Lispector e João Cabral de Melo Neto) transfigurou literariamente a “cor local”, universalizando-a, ao buscar realizar uma literatura que fosse praticada além das fronteiras do litoral brasileiro ou dos grandes centros urbanos (para a qual Lima Barreto já dava notícia desde o século XIX): no interior e no sertão. Foram elas: a) as tradições sertanistas (que buscavam pensar o Brasil como unidade integrando as regiões); e, inversamente, b) as tradições que pensaram o todo pela parte, sobrevalorizando muitas vezes mais o regional, o às vezes carregado de pitoresco, em detrimento do nacional e, por aí, incorrendo nos nacionalismos verde-amarelistas e/ou endógenos muitas vezes. Guimarães Rosa sempre rejeitou, por isso, a alcunha de regionalista. Em entrevista a Fernando Camacho disse que “quanto mais realista sou, você desconfie. Aí é que está o degrau para a ascensão, o trampolim para o salto. Aquilo é o texto pago para ter direito de esconder uma porção de coisas. Para quem não precisa de saber ou não aprecia”.

Na narrativa do quinto dia do caminho pelo sertão, entre Sagarana e Chapada Gaúcha, daremos atenção às definições de “Chapada”, “Vereda”, “Gerais” e “Buritizais” em Grande Sertão : Veredas e Corpo de Baile. E, na seção Amigos de Rosa e do Sertão, trazemos as ilustrações de capa das primeiras edições da obra de João Guimarães Rosa, seguidas pelo curta-metragem Sertão: Veredas, protagonizado pelo ator mineiro Odilon Esteves.

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Ah, eu estou vivido, repassado. Eu me lembro das coisas, antes delas acontecerem… Com isso minha fama clareia? Remei vida solta. Sertão: estes seus vazios. O senhor vá. Alguma coisa, ainda encontra. Vaqueiros? Ao antes – a um, ao Chapadão do Urucuia – aonde tanto boi berra… Ou o mais longe: vaqueiros do Brejo-Verde e do Córrego do Quebra-Quinaus: cavalo deles conversa cochicho – que se diz – para dar sisado conselho ao cavaleiro (…). Dali para cá, o senhor vem, começos do Carinhanha e do Piratinga filho do Urucuia – que os dois, de dois, se dão as costas. Saem dos mesmos brejos – buritizais enormes. Por lá, sucuri geme. Cada surucuiú do grosso: voa corpo no veado e se enrosca nele, abofa – trinta palmos! Tudo em volta, é um barro colador, que segura até casco de mula, arranca ferradura por ferradura. Com medo de mãe-cobra, se vê muito bicho retardar ponderado, paz de hora de poder água beber, esses escondidos atrás das touceiras de buritirana. Mas o sassafrás dá mato, guardando o poço; o que cheira um bom perfume. Jacaré grita, uma, duas, as três vezes, rouco roncado. Jacaré choca – olhalhão, crespido do lamal, feio mirando na gente. Eh, ele sabe se engordar. Nas lagoas aonde nem um de asas não pousa, por causa da fome de jacaré e da piranha serrafina. Ou outra – lagoa que nem não abre o olho, de tanto junco.

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Daí longe em longe, os brejos vão virando rios. Buritizal vem com eles, buriti se segue, segue. Para trocar de bacia o senhor sobe, por ladeiras de beira-de-mesa, entra de bruto na chapada, chapadão que não se devolve mais. Água ali nenhuma não tem – só a que o senhor leva. Aquelas chapadas compridas, cheias de mutucas ferroando a gente. Mutucas! Dá o sol, de onda forte, dá que dá, a luz tanta machuca. Os cavalos suavam sal e espuma. Muita vez a gente cumpria por picadas no mato, caminho de anta – a ida da vinda… De noite, se é de ser, o céu embola um brilho. Cabeça da gente quase esbarra nelas. Bonito em muito comparecer, como o céu de estrelas, por meados de fevereiro! Mas, em deslua, no escuro feito, é um escurão, que peia e pega. É noite de muito volume. Treva toda do sertão, sempre me fez mal. Diadorim, não, ele não largava o fogo de gelo daquela idéia; e nunca se cismava. Mas eu queria que a madrugada viesse. Dia quente, noite fria. Arrancávamos canela-de-ema, para acender fogueira. Se a gente tinha o que comer e beber, eu dormia logo. Sonhava. Só sonho, mal ou bem; livrado. Eu tinha uma lua recolhida. Quando o dia quebrava as barras, eu escutava outros pássaros. Tiriri, graúna, a fariscadeira, juriti-dopeito-branco ou a pomba-vermelha-do-mato-virgem. Mas mais o bem-tevi. Atrás e adiante de mim, por toda a parte, parecia que era um bem-te-vi só.

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Dali vindo, visitar convém ao senhor o povoado dos pretos: esses bateavam em faisqueiras – no recesso brenho do Vargem-da-Cria – donde ouro já se tirou. Acho, de baixo quilate. Uns pretos que ainda sabem cantar gabos em sua língua da Costa. E em andemos: jagunço era que perpassava ligeiro; no chapadão, os legítimos coitados todos vivem é demais devagar, pasmacez. A tanta miséria. O chapadão, no pardo, é igual, igual – a muita gente ele entristece; mas eu já nasci gostando dele. As chuvas se temperaram…

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Senhor vê, o senhor sabe. Sertão é o penal, criminal. Sertão é onde homem tem de ter a dura nuca e mão quadrada. Mas, onde é bobice a qualquer resposta, é aí que a pergunta se pergunta. Por que foi que eu conheci aquele Menino? O senhor não conheceu, compadre meu Quelemém não conheceu, milhões de milhares de pessoas não conheceram. O senhor pense outra vez, repense o bem pensado: para que foi que eu tive de atravessar o rio, defronte com o Menino? O São Francisco cabe sempre aí, capaz, passa. O Chapadão é em sobre longe, beira até Goiás, extrema. Os gerais desentendem de tempo. Sonhação – acho que eu tinha de aprender a estar alegre e triste juntamente, depois, nas vezes em que no Menino pensava, eu acho que. Mas, para quê? por quê? Eu estava no porto do de-Janeiro, com minha capanguinha na mão, ajuntando esmolas para o Senhor Bom-Jesus, no dever de pagar promessa feita por minha mãe, para me sarar de uma doença grave. Deveras se vê que o viver da gente não é tão cerzidinho assim?

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De tarde, como estava sendo, esfriava um pouco, por pejo de vento – o que vem da Serra do Espinhaço – um vento com todas almas. Arrepio que fuxicava as folhagens ali, e ia, lá adiante longe, na baixada do rio, balançar esfiapado o pendão branco das canabravas. Por lá, nas beiras, cantava era o joão-po- bre, pardo, banhador. Me deu saudade de algum buritizal, na ida duma vereda em capim tem-te que verde, termo da chapada. Saudades, dessas que respondem ao vento; saudade dos Gerais. O senhor vê: o remôo do vento nas palmas dos buritis todos, quando é ameaço de tempestade. Alguém esquece isso? O vento é verde. Aí, no intervalo, o senhor pega o silêncio põe no colo. Eu sou donde eu nasci. Sou de outros lugares. Mas, lá na Guararavacã, eu estava bem. O gado ainda pastava, meu vizinho, cheiro de boi sempre alegria faz. Os quem-quem, aos casais, corriam, catavam, permeio às reses, no liso do campo claro. Mas, nas árvores, pica-pau bate e grita. E escutei o barulho, vindo do dentro do mato, de um macuco – sempre solerte. Era mês de macuco ainda passear solitário – macho e fêmea desemparelhados, cada um por si. E o macuco vinha andando, sarandando, macucando: aquilo ele ciscava no chão, feito galinha de casa. Eu ri – “Vigia este, Diadorim!” – eu disse; pensei que Diadorim estivesse em voz de alcance. Ele não estava. O macuco me olhou, de cabecinha alta. Ele tinha vindo quase endireito em mim, por pouco entrou no rancho. Me olhou, rolou os olhos. Aquele pássaro procurava o quê? Vinha me pôr quebrantos. Eu podia dar nele um tiro certeiro. Mas retardei. Não dei. Peguei só num pé de espora, joguei no lado donde ele. Ele deu um susto, trazendo as asas para diante, feito quisesse esconder a cabeça, cambalhota fosse virar. Daí, caminhou primeiro até de costas, fugiu-se, entrou outra vez no mato, vero, foi caçar poleiro para o bom adormecer.

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Assim pois foi, como conforme, que avançamos rompidas marchas, duramente no varo das chapadas, calcando o sapê brabão ou areias de cor em cimento formadas, e cruzando somente com gado transeunte ou com algum boi sozinho caminhador. E como cada vereda, quando beirávamos, por seu resfriado, acenava para a gente um fino sossego sem notícia – todo buritizal e florestal: ramagem e amar em água. E que, com nosso cansaço, em seguir, sem eu nem saber, o roteiro de Deus nas serras dos Gerais, viemos subindo até chegar de repente na Fazenda Santa Catarina, nos Buritis-Altos, cabeceira de vereda. Que’s borboletas! E era em maio, pousamos lá dois dias, flor de tudo, como sutil suave, no conhecimento meu com Otacília. O senhor me ouviu. Em como Otacília e eu ficamos gostando um do outro, conversamos, combinados no noivável, e na sobremanhã eu me despedi, ela com sua cabecinha de gata, alva no topo da alpendrada, me dando a luz de seus olhos; e de lá me fui, com Diadorim e os outros. E de como viemos, em cata do grosso do bando de Medeiro Vaz, que dali a quinze léguas recruzava, da Ratragagem para a Vereda-Funda, e com eles nos ajuntamos, economizando rumo, num lugar chamado o Bom- Buriti. Me alembro, meu é. Ver belo: o céu poente de sol, de tardinha, a roséia daquela cor. E lá é cimo alto: pintassilgo gosta daquelas friagens. Cantam que sim. Na Santa Catarina. Revejo. Flores pelo vento desfeitas. Quando rezo, penso nisso tudo.

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Saí, vim, destes meus Gerais; voltei com Diadorim. Não voltei? Travessias… Diadorim, os rios verdes. A lua, o luar: vejo esses vaqueiros que viajam a boiada, mediante o madrugar, com lua no céu, dia depois de dia. Pergunto coisas ao buriti; e o que ele responde é: a coragem minha. Buriti quer todo azul, e não se aparta de sua água – carece de espelho. Mestre não é quem sempre ensina, mas quem de repente aprende. Por que é que todos não se reúnem, para sofrer e vencer juntos, de uma vez? Eu queria formar uma cidade da religião. Lá, nos confins do Chapadão, nas pontas do Urucuia. O meu Urucuia vem, claro, entre escuros. Vem cair no São Francisco, rio capital. O São Francisco partiu minha vida em duas partes.

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Aí quando muito vento abriu o céu, e o tempo deu melhora, a gente estava na erva alta, no quase liso de altas terras. Se ia, aos vintes e trintas, com Zé Bebelo de bota-fogo. Assim expresso, chapadão voante. O chapadão é sozinho – a largueza. O sol. O céu de não se querer ver. O verde carteado do grameal. As duras areias. As arvorezinhas ruim-inhas de minhas. A diversos que passavam abandoados de araras – araral – conver- santes. Aviavam vir os periquitos, cota o canto-clim. Ali chovia? Chove – e não encharca poça, não rola enxurrada, não produz lama: a chuva inteira se soverse em minuto terra a fundo, feito um azeitezinho entrador. O chão endurecia cedo, esse rareamento de águas. O fevereiro feito. Chapadão, chapadão, chapadão.

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Mas levei minha sina. Mundo, o em que se estava, não era para gente: era um espaço para os de meia-razão. Para ouvir gavião guinchar ou as tantas seriemas que chungavam, e avistar as grandes emas e os veados correndo, entrando e saindo até dos velhos currais de ajuntar gado, em rancharias sem morador? Isso, quando o ermo melhorava de ser só ermo. A chapada é para aqueles casais de antas, que toram trilhas largas no cerradão por aonde, e sem saber de ninguém assopram sua bruta força. Aqui e aqui, os tucanos senhoreantes, enchendo as árvores, de mim a um tiro de pistola – isto resumo mal. Ou o zabelê choco, chamando seus pintos, para esgaravatar terra e com eles os bichinhos comíveis catar. A fim, o birro e o garrixo sigritando. Ah, e o sabiá-preto canta bem. Veredas. No mais, nem mortalma. Dias inteiros, nada, tudo o nada – nem caça, nem pássaro, nem codorniz. O senhor sabe o mais que é, de se navegar sertão num rumo sem termo, amanhecendo cada manhã num pouso diferente, sem juízo de raiz? Não se tem onde se acostumar os olhos, toda firmeza se dissolve. Isto é assim. Desde o raiar da aurora, o sertão tonteia. Os tamanhos. A alma deles.

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Eu queria a muita movimentação, horas novas. Como os rios não dormem. O rio não quer ir a nenhuma parte, ele quer é chegar a ser mais grosso, mais fundo. O Urucuia é um rio, o rio das montanhas. Rebebe o encharcar dos brejos, verde a verde, veredas, marimbus, a sombra separada dos buritizais, ele. Recolhe e semeia areias. Fui cativo, para ser solto? Um buraquinho d’água mata minha sede, uma palmeira só me dá minha casa. Casinha que eu fiz, pequena – ô gente! – para o sereno remolhar. O Urucuia, o chapadão derredor dele. Estas árvores: essas árvores. Conversa, Zé Bebelo: conversa, com as marrecas chocas, no meio das varas do juncal. Mesmo na hora em que eu for morrer, eu sei que o Urucuia está sempre, ele corre. O que eu fui, o que eu fui. E esses velhos chapadões – dele, dos Couros, de Antônio Pereira, dos Arrepiados, do Couto, do Arrenegado. Um homem é escuro, no meio do luar da lua – lasca de breu. Dentro de mim eu tenho um sono, e mas fora de mim eu vejo um sonho – um sonho eu tive. O fim de fomes.

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Aonde é que jagunço ia? À vã, à vã. Tinha minha vontade, de estar em toda a parte. Mas, quadrando que primeiro, mais para o norte: para o Chapadão do Urucuia, aonde tanto boi berra. Que eu recordava de ver o rio meu – beber em beira dele uma demão d’água… Ah, e essas estradas de chão branco, que dão mais assunto à luz das estrelas. Eu pensei, eu quis.

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e demos com a primeira vereda – dividindo as chapadas –: o flaflo de vento agarrado nos buritis, franzido no gradeai de suas folhas altas; e, sassafrazal – como o da alfazema, um cheiro que refresca; e aguadas que molham sempre. Vento que vem de toda parte. Dando no meu corpo, aquele ar me falou em gritos de liberdade. Mas liberdade – aposto – ainda é só alegria de um pobre caminhozinho, no dentro do ferro de grandes prisões. Tem uma verdade que se carece de aprender, do encoberto, e que ninguém não ensina: o beco para a liberdade se fazer. Sou um homem ignorante. Mas, me diga o senhor: a vida não é cousa terrível?

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Pra mais onde? Ah, aonde os altos bons: o Chapadão do Urucuia, em que tanto boi berra. Mas nunca chegamos nem na Virgem-Mãe. Afiguro, desde o começo desconfiei de que estávamos em engano. Rumos que eu menos sabia, no viável. Como a serra que vinha vindo, enquanto para ela eu ia indo, em tantos dias: longe lá, de repente os olhos da gente percebem um fio de tremor – se vê é um risquinho preto, que com léguas andadas vira cinzento e vira azul – daí, depois, parede de morro se faz. No arquear dali, foi que se pegou o primeiro caminho achado, para se passar. Bem baixamos. Os rios estavam sujos, em espumas. Não havendo a ajuda de Joaquim Beiju, que estava dando para dela se sentir falta. Zé Bebelo, em assarapanto, até os dedos da mão dele não deixavam de se perpassar, contando rosário nas tiras da rédea. Que andávamos desconhecidos no errado. Disso, tarde se soube – quem que guiava tinha enredado nomes: em vez da Virgem-Mãe, creu de se levar tudo para a Virgem-da-Laje, logo lugar outro, vereda muito longe para o sul, no sítio que tem engenho-de-pilões. Mas já era tarde. Trovoou truz, dava vento. E chuvas que minha língua lambeu. Nelas mais não falo. Mas, quando estiou o tempo, de vez, não sei se foi melhor: porque bateu de começo a fim dos Gerais um calor terrível. Aí, quem sofreu e não morreu, ainda se lembra dele. Esses meses do ar como que estavam desencontrados.

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A caminhada é assim, é ser: despesa grossa, o abalo. Contra a mera vontade, que meio me lembro, aquelas ladeiras de chapadas. Subindo para terreno concertado, cada tabuleiro que o fim dele é dificultoso, pior do que batoqueira de caatingal. Os muitos campos, com tristeza agora bota valesse menos que alpercata. O vento endureceu. Aí passa gavião, apanha guincho, de todas as estirpes deles – o que gaviãozinho quiriquitou! E lá era que o senhor podia estudar o juízo dos bandos de papagaios. O quanto em toda vereda em que se baixava, a gente saudava o buritizal e se bebia estável. Assim que a madotagem desmereceu em acabar, mesmo fome não curtimos, por um bem: se caçou boi. A mais, ainda tinha araticum maduro no cerrado. Mas, para balear uma rês da solta, era o mister de toda sorte e diligência, por ser um gado estruso, estranhador. O fumo de pitar se acabando repentino na algibeira de uns e outros – bondade dos companheiros era que acudia. E deu daquele vento trazedor: chegou chuva. A gente se escondendo, divididos, embaixo dos pequizeiros, que tempesteava. Dormir remolhado, se dormia, com a lama da friagem. De madrugar, depois, se achava era pé de onça, circulando as marcas. E a gente ia, recomeçado, se andava, no desânimo, nas campinas altas. Tão território que não foi feito para isso, por lá a esperança não acompanha. Sabia, sei. O pobre sozinho, sem um cavalo, fica no seu, permanece, feito numa croa ou ilha, em sua beira de vereda. Homem a pé, esses Gerais comem.

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Ora vez, que, desse jeito, fomos entortando, entre as duas chapadas, encalço da estrada do rio; e se chegou na fazenda cercã, que era por lá, a Barbaranha dita, em um lugar redondo e simples, no Pé-da-Pedra. O que eu já disse ao senhor, respeitante. Mas acrescento que o dono, no atual, era um seo Ornelas – Josafá Jumiro Ornelas, por nome todo. – “De uns três dias foi o São João, então amanhã é o São Pedro…” – alguém disse, de voz. Soubessem que esse seo Ornelas era homem bom descendente, posseiro de sesmaria. Antes, tinha valido, com muitos passados, por causa de política, e ainda valesse, compadre que era do Coronel Rotílio Manduca em sua Fazenda Baluarte.

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Vai, viemos, viemos. Esses dias em ondas. Sei só as encostas que subi, a festo. O Chapadão: céu de ferro. E era a lua- nova. Aquelas pedras brancas, que de noite tanto esfriam. As caraíbas estavam dando flor. Por ponto de meu corpo, medi o enrolar dos longes ventos. Aí se viu, em seus couros, um vaqueiro pessoalmente. A esse, perfiz: – “Amigo o amigo, aqui é aqui?” Ao que ele confirmou: – “Aqui, o senhor, meu senhor, os senhores estão nos andares do rio Urucuia…” Aos campos. Sentei que estava. Estrela gosta de brilhar é por cima do Chapadão. Tanta doideira fiz? A prazo. Como aquela vista reta vai longe, longe, nunca esbarra. Assim eu entrei dentro da minha liberdade. Oi, grita, arara, araraúna, para a tua voz desenrouquecer! O Chapadão é uma estada, estando. Somente eu sabia respirar. Sumo bebi de mim, e do que eu não me tonteava. Só estive em meus dias. E ainda hoje, o suceder deste meu coração copia é o eco daquele tempo; e qualquer fio de meu cabelo branco que o senhor arranque, declara o real daquilo, daquilo – sem traslado… Ali eu diante de portas abertas, por livre ir, às larguras de claridade… Acho que foi assim.

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Aprazia escutar o ventinho do chapadão, com o suave rumor que assopra e faz, nas folhas do bate-caixa. A cachorrinha, amarrada mesmo, se sujeitava de não latir: figuro que alguém estava dando a ela pedaços de carne-seca. Alembro que eu ainda podia caber nesse domingozinho de tranquilidade. O melhor – ah, pensei, o melhor de tudo! – era que o Anhangão não aparecesse, não se visse porfiando no meio de todos; e que mesmo o mais certo era d’ele, demo, não competir, por não ter nenhuma existência.

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E a doidice da voz: que a gente depois viajasse, viajasse, e não faltava frescura d’água em nenhumas todas as léguas e chapadas… Isso tudo então não era amor? Por força que era. E pelo sim receei: será tivesse Diadorim falseado fala, e o recado na verdade fosse outro – o para ela vir, afoitamente, que eu dela muito carecia? Divulgo o desuso disso, que era extravagâncias. Mas o senhor acreditando que alguma coisa humana é de todo impossível, então é que o senhor não pode mesmo ser chefe de jagunço, nem na menor metade só de um diazinho, nem somente nos vastos imaginados. Ora essas! – digo. Se Otacília viesse, aparecesse lá em no meio de nós – que seguimento de coisas havia de suceder?

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Retardamos. Até que, tomando sazão boa no veranico, seguimos em fim, estrotejando. Parávamos léguas perto das divisas, mandei ir vigias e dianteiros. Conferi meu povo nas armas. Tudo prazia. O barranco mineiro ou o barranco goiano. Da beira de Minas Gerais, vinha um mato vagaroso. E piorou um tico o tempo, em Minas entramos, serra- acima, com os cavalos esticados. Aí o truvisco; e buzegava. O ladeirão, ruim rampa, mas pegamos a ponta da chapada. Foi ver, que com o vento nas orelhas, o vento que não vareia de músicas. Tudo consabia bem; isto sim, digo; no remedido do trivial, espaço de chuva, a gente em avanço por esses tabuleiros: fazia rio, por debaixo, entre as pernas de meu cavalo. Sertão velho de idades. Porque – serra pede serra – e dessas, altas, é que o senhor vê bem: como é que o sertão vem e volta. Não adianta se dar as costas. Ele beira aqui, e vai beirar outros lugares, tão distantes. Rumor dele se escuta. Sertão sendo do sol e os pássaros: urubu, gavião – que sempre voam, às imensidões, por sobre… Travessia perigosa, mas é a da vida. Sertão que se alteia e se abaixa. Mas que as curvas dos campos estendem sempre para mais longe. Ali envelhece vento. E os brabos bichos, do fundo dele… Com trovôo. Trovoadão nos Gerais, a ror, a rodo… Dali de lá, eu podia voltar, não podia? Ou será que não podia, não? Bambas asas, me não sei. Bambas asas… Sei ou o senhor sabe? Lei é asada é para as estrelas. Quem sabe, tudo o que já está escrito tem constante reforma – mas que a gente não sabe em que rumo está – em bem ou mal, todo-o-tempo reformando?

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A gente vinha acabando a serra. Serra da Chapada. Somente para dali descer, e traduzir essas campinas, a grandeza de vargem. Deles, inimigos, não se tinha aviso nenhum, nem espiação. Eu podia saber? Eu era uma terrível inocência. E de tudo miúdo eu dava de comer à minha alegria. Assim, o por exemplo, quando eu quis experimentar a valia de meus catrumanos. Um, o Dos- Anjos. Esse degozava de mostrar que tinha tomado entendimentos: presto manejava. Achei graça no tirintim ligeiro, como ele recarregou a comblém. Mas era uma arma sem trocha, e muito envelhecida, abaixo de todas as menos, até com cano já gasto. – “X’eu cá ver o arcabuz, mano-velho…” – eu arrecadei. Ele nem queria entregar; conforme que disse, triste: – “É a méa combléia…” – e excogitava na arma. Esse, merecia. Que fossem arranjar para ele uma outra, consentã – rifle chapeado ou winchester mão 27, ou carabina qualquer, bala de chumbo. E aí o Dos-Anjos me desofereceu o trabuco dele velho; mais que avexado, e menino-manso me olhava…

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Por mim, o que pensei, foi: que eu não tive pai; quer dizer isso, pois nem eu nunca soube autorizado o nome dele. Não me envergonho, por ser de escuro nascimento. Orfão de conhecença e de papéis legais, é o que a gente vê mais, nestes sertões. Homem viaja, arrancha, passa: muda de lugar e de mulher, algum filho é o perdurado. Quem é pobre, pouco se apega, é um giro-o- giro no vago dos gerais, que nem os pássaros de rios e lagoas. O senhor vê: o Zé-Zim, o melhor meeiro meu aqui, risonho e habilidoso. Pergunto: – “Zé-Zim, por que é que você não cria galinhas-d’angola, como todo o mundo faz?” – “Quero criar nada não…” – me deu resposta: – “Eu gosto muito de mudar…” Está aí, está com uma mocinha cabocla em casa, dois filhos dela já tem. Belo um dia, ele tora. É assim. Ninguém discrepa. Eu, tantas, mesmo digo. Eu dou proteção. Eu, isto é – Deus, por baixos permeios… Essa não faltou também à minha mãe, quando eu era menino, no sertãozinho de minha terra – baixo da ponta da Serra das Maravilhas, no entre essa e a Serra dos Alegres, tapera dum sítio dito do Caramujo, atrás das fontes do Verde, o Verde que verte no Paracatu. Perto de lá tem vila grande – que se chamou Alegres – o senhor vá ver. Hoje, mudou de nome, mudaram. Todos os nomes eles vão alterando. É em senhas. São Romão todo não se chamou de primeiro Vila Risonha? O Cedro e o Bagre não perderam o ser? O Tabuleiro-Grande? Como é que podem remover uns nomes assim? O senhor concorda? Nome de lugar onde alguém já nasceu, devia de estar sagrado. Lá como quem diz: então alguém havia de renegar o nome de Belém – de Nosso-Senhor-Jesus-Cristo no presépio, com Nossa Senhora e São José?! Precisava de se ter mais travação. Senhor sabe: Deus é definitivamente; o demo é o contrário Dele… Assim é que digo: eu, que o senhor já viu que tenho retentiva que não falta, recordo tudo da minha meninice. Boa, foi. Me lembro dela com agrado; mas sem saudade. Porque logo sufusa uma aragem dos acasos. Para trás, não há paz. O senhor sabe: a coisa mais alonjada de minha primeira meninice, que eu acho na memória, foi o ódio, que eu tive de um homem chamado Gramacedo… Gente melhor do lugar eram todos dessa família Guedes, Jidião Guedes; quando saíram de lá, nos trouxeram junto, minha mãe e eu. Ficamos existindo em território baixio da Sirga, da outra banda, ali onde o de-Janeiro vai no São Francisco, o senhor sabe. Eu estava com uns treze ou quatorze anos…

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Assim a gente experimentava, cá e cá, falseando fuga. Os campos-gerais ali também tem. Tombadores. Arre, os tremedais, já viu algum? O chão deles consiste duro enxuto, normal que engana; quem não sabe o resto, vem, pisa, vai avançando, tropa com cavalos, cavalama. Seja sem espera, quando já estão meio no meio, aquilo sucrepa: pega a se abalar, ronca, treme escapulindo, feito gema de ovo na frigideira. Ei! Porque, debaixo da crosta seca, rebole ocultado um semifundo, de brejão engolidor… Pois, em roda dali, João Goanhá dispôs que a gente se amoitasse – três golpes de homens – tocaiando. Ao de manhã, primeiro passaram os do sargento Leandro, esses eram os menos, e um guia pagavam, por conhecer o caminho firme. Mas fomos lá, às pressas espalhamos de lugar os ramos verdes de árvore, que eles tinham botado para a certa informação. No depois, vinham os do tenente. Tenente, tenente, tu quer! Seguidos por ali entraram, ah. Dos nossos, uns, acolá, deram tiros, por disfarçação. Iscas! Cavalaria dos praças se avexou. Ave, e pronto, de repente foi: a casca de terra sacudia, se rachou em cruzes, estalando, em muitos metros – balofou. Os cavalos entornados – era como despejar prateleiras cheias – e os soldados aiando gritos, se abraçavam com os animais caintes, ou com o ar, uns a esmo desfechavam mosquetão. Mas encalcados se afundando, pra não mais. A gente, se queria, mirava, ainda acertava neles. Coisas que vi, vi, vi – oi… Eu não atirei. Não tive braçagem. Talvez tive pena.

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Era para ir? Fôssemos. Disso deslavava. Descemos a Vereda do Porco-Es- pim, que não tinha nome verdadeiro anterior, e assim chamamos, porque um bicho daqueles por lá cruzou. Chapadas de ladeira pouca. Depois, uma lomba, com o cerradão. E por fim viemos esbarrar em lugar de algum cômodo, mas feio, como feio não se vê. – Tudo é gerais… – eu pensei, por consolo. Um homem, que com a machadinha na mão e sua cabaça a tiracol tratava de desmelar cortiço num pau do mato, esse indicou tudo necessário e deu a menção de onde é que estávamos. Na Coruja, um retiro taperado. E ali, redizendo o que foi meu primeiro pressentimento, eu ponho: que era por minha sina o lugar demarcado, começo de um grande penar em grandes pecados terríveis. Ali eu não devia nunca de me ter vindo; lá eu não devia de ter ficado. Foi o que assim de leve eu mesmo me disse, no avistar o redondo daquilo, e a velhice da casa.

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Aí pois, de repente, vi um menino, encostado numa árvore, pitando cigarro. Menino mocinho, pouco menos do que eu, ou devia de regular minha idade. Ali estava, com um chapéu- de-couro, de sujigola baixada, e se ria para mim. Não se mexeu. Antes fui eu que vim para perto dele. Então ele foi me dizendo, com voz muito natural, que aquele comprador era o tio dele, e que moravam num lugar chamado Os-Porcos, meio-mundo diverso, onde não tinha nascido. Aquilo ia dizendo, e era um menino bonito, claro, com a testa alta e os olhos aos-grandes, verdes. Muito tempo mais tarde foi que eu soube que esse lugarim Os-Porcos existe de se ver, menos longe daqui, nos gerais de Lassance.

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No passado, eu, digo e sei, sou assim: relembrando minha vida para trás, eu gosto de todos, só curtindo desprezo e desgosto é por minha mesma antiga pessoa. Medeiro Vaz, antes de sair pelos Gerais com mão de justiça, botou fogo em sua casa, nem das cinzas carecia a possessão. Casas, por ordem minha aos bradados, eu incendiei: eu ficava escutando – o barulho de coisas rompendo e caindo, e estralando surdo, desamparadas, lá dentro. Sertão!

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Vindo na vertente, tinha o quintal, e o mato, com o garrulho de grandes maracanãs pousadas numa embaúba, enorme, e nas mangueiras, que o sol dourejava. Da banda do serro, se pegava no céu azul, com aquelas peças nuvens sem movimento. Mas, de parte do poente, algum vento suspendia e levava rabos-de-galo, como que com eles fossem fazer um seu branco ninho, muito longe, ermo dos Gerais, nas beiras matas escuras e águas todas do Urucuia, e nesse céu sertanejo azul-verde, que mais daí a pouco principiava a tomar raias feito de ferro quente e sangues. Digo, porque até hoje tenho isso tudo do momento riscado em mim, como a mente vigia atrás dos olhos. Por que, meu senhor? Lhe ensino: porque eu tinha negado, renegado Diadorim, e por isso mesmo logo depois era de Diadorim que eu mais gostava. A espécie do que senti. O sol entrado. Daí, sendo a noite, aos pardos gatos. Outra nossa noite, na rebaixa do engenho, deitados em couros e esteiras – nem se tinha o espaço de lugar onde rede armar.

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Ao sim, tinha viajado, tinha ido até princípio de sua terra natural, êle Pedro Orósio, catrumano dos Gerais. Agora, vez, era que podia ter Saudade de lá, Saudade firme. Do chapadão – de onde tudo se enxerga. Do chapadão, com desprumo de duras ladeiras repentinas, onde a areia se cimenta: a grava do areal rosado, fazendo pururuca debaixo dos cascos dos cavalos e da sola crúa das alpercatas. Ou aquela areia branca, por baixo da areia amarela, por baixo da areia rosa, por baixo da areia vermelha – sarapintada de areia verde: aquilo, sim, era ter Saudade! O vivido velho dos vaqueiros, gritando galope, encourados rentes, aboiando. Os bois de todo berro, marruás com marcas de unhas de onça. Chovia de escurecer, trovoava, trovoava, a escuridão lavrava em fogo. E na chapada a chuva sumia, bebia, como por encanto, não deitava um lenço de lama, não enxurrava meio rêgo. Depois, subia um branco poder de sol, e um vento enorme falava, respondiam tôdas as árvores do cerrado – a caraíba, a bate-caixa, a simaruba, o pau-santo, a bolsa-de-pastor. De lua a lua. Sempre corriam as emas, os veados, as antas. Sonsa, nadava a sucurijú. Tanto o gruxo de gaviões, que voavam altos, os papagaios e araras, e a Maria- branca cantava meiguinha, todo aquêle arvoredo ela conhecia, simples, saía pimpã do meio das fôlhas verdes com um fiinho de cabelo de boi no bico. Ar assim farto, céu azul assim, outro nenhum. Uma luz mãe, de milagre. E o coração e corôo de tudo, o real daquela terra, eram as veredas vivendo em verde com muito espêlho de suas águas, para os passarinhos, mil e buritizal, realegre sempre em festa, o belo-belo dos buritis em tanto, a contra-sol. Um homem chega à porta de sua casa, se rindo de si e escorrendo água, desvestia pesada a croça de fibra de palmeira bôa. E uma mulher môça, dentro de casa, se rindo para o homem, dando a êle chá de folha de campo e creme de côcos bravos. E um menino, se rindo para a mãe na alegria de tudo, como quando tudo era falante, no inteiro dos Campos-Gerais . . . (“O Recado do Morro”, de Corpo de Baile).

SEÇÃO AMIGOS DE ROSA E DO SERTÃO

Em vida, João Guimarães Rosa publicou apenas 5 de seus livros: Sagarana (1946), Corpo de Baile (1956) – e que, desde a terceira edição, se dividiu em três volumes: Manuelzão e Miguilim, No Urubùquaquá e Noites do Sertão –; Grande Sertão : Veredas (1956); Primeiras Estórias (1962) e Tutaméia (1967). Os livros Estas Estórias (1969); Ave, Palavra (1970) e Magma (1997) são publicações póstumas.

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No cinema trazemos o curta-metragem Sertão : Veredas, protagonizado por Odilon Esteves, ator nascido em Minas Gerais e residente em Belo Horizonte. Odilon é membro da Cia Luna Lunera, uma das mais importantes companhias de teatro de Minas Gerais na contemporaneidade, e que conta com prestígio nacional, e mesmo no exterior, sobretudo desde a montagem de “Aqueles Dois”.

Por Fábio Borges
Fotos são de Fábio Borges e Gustavo Meyer

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