O CAMINHO DO SERTÃO – de Sagarana ao Grande Sertão: Veredas

O que sustenta a proposta de um Caminho do Sertão é a percepção de que as estórias colocam a história em perspectiva, podendo, portanto, questioná-la, negá-la, subvertê-la, ultrapassá-la, encantá-la e/ou recontá-la; de que a imaginação e vivências outras podem reinventar mundos. Toda vez que se conta um conto ou narra­-se uma história, amplia-­se a possibilidade de escuta do outro, de compreensão das diferenças e da legitimação delas, bem como se expande a possibilidade de relativização das nossas certezas e convicções. Escutar o outro é abertura incondicional para o verdadeiro diálogo. A escuta é a hospitalidade preparando o caminhante para o diálogo e para as implicações filosóficas e existenciais do sair de si e peregrinar por percepções terceiras. A escuta é alteridade, reconhecida e legitimada.

 O Caminho do Sertão oferece uma imersão no universo de Guimarães Rosa, na literatura, na geografia, nos saberes e fazeres dos habitantes dos vales dos rios Urucuia e Carinhanha, no noroeste e norte de Minas Gerais. Propõe-se uma jornada de 150 Km, a ser percorrida a pé, em 7 (sete) dias, saindo da Vila de Sagarana, no município de Arinos­-MG, para chegar à cidade de Chapada Gaúcha. Em Sagarana, primeiro assentamento de reforma agrária da região, implantado na década de 1970, está situada a Reserva Biológica de Sagarana, onde ocorre anualmente o Festival “Sagarana: Feito Rosa para o Sertão”. Não distante dali está Chapada Gaúcha, cidade sede do Parque Nacional do Grande Sertão Veredas. Em Chapada ocorre, todo mês de julho, o “Encontro dos Povos do Grande Sertão Veredas”.

Assim, uma jornada literária “de Sagarana ao Grande Sertão” nos leva da primeira à mais importante das obras do Rosa. Propõe-se uma jornada que percorrerá parte do caminho realizado por Riobaldo em sua travessia rumo ao Liso do Sussuarão – suposto deserto do Grande Sertão:Veredas; uma jornada em terras marcadas por movimentos, deslocamentos e giros, por presenças em Travessias, a revelar que o deserto é não-­deserto, terra de um povo geraizeiro, onde natureza e humanidade estão imbricadas, Terra de cultura! É uma jornada socioambiental pela diversidade do cerrado mineiro, em que se fundem veredas, lagoas, rios, comunidades tradicionais, povoados, assentamentos de reforma agrária e grandes fazendas do agronegócio. É a oportunidade para os caminhantes despertarem o olhar para o processo de desertificação que ameaça a região e refletir acerca das mudanças necessárias para evitá-la.

Assim, propõe-se uma jornada existencial, na medida em que a travessia do sertão proporcione o encontro com as estórias de Rosa, com as estórias e histórias do povo sertanejo de Minas Gerais e, ainda, com as trajetórias e visões pessoais dos caminhantes, levando-os a refletir sobre as próprias questões e as socioambientais. Propõe-se um grande diálogo a apontar para o autoencontro de toda verdadeira caminhada. Nos dizeres do Rosa/Riobaldo, o sertão “está em toda parte”, “é do tamanho do mundo”, “não está em lugar nenhum” e “está dentro da gente”, o que revela o paradoxo humano que se reflete na Terra.

Entusiasmados, cremos que, com os horizontes ampliados pela jornada, nós, caminhantes, estaremos aptos à percepção do Sertão, do Brasil e do Mundo numa encruzilhada ­ histórica e civilizacional. Nessa encruzilhada, onde as possibilidades encontram-se abertas, a via alternativa não está dada e para que ela seja delineada, é necessária a construção de uma nova narrativa – planetária e cidadã, a partir da qual se possa encantar e mobilizar corações, corpos e mentes para o caminho que se faz ao caminhar.

Venha! Vamos pelo caminho do Ser Tão, “pelo Cerrado e suas Culturas, de pé!”

O CAMINHO DO SERTÃO – de Sagarana ao Grande Sertão: Veredas

O que sustenta a proposta de um Caminho do Sertão é a percepção de que as estórias colocam a história em perspectiva, podendo, portanto, questioná-la, negá-la, subvertê-la, ultrapassá-la, encantá-la e/ou recontá-la; de que a imaginação e vivências outras podem reinventar mundos. Toda vez que se conta um conto ou narra­-se uma história, amplia-­se a possibilidade de escuta do outro, de compreensão das diferenças e da legitimação delas, bem como se expande a possibilidade de relativização das nossas certezas e convicções. Escutar o outro é abertura incondicional para o verdadeiro diálogo. A escuta é a hospitalidade preparando o caminhante para o diálogo e para as implicações filosóficas e existenciais do sair de si e peregrinar por percepções terceiras. A escuta é alteridade, reconhecida e legitimada.

 O Caminho do Sertão oferece uma imersão no universo de Guimarães Rosa, na literatura, na geografia, nos saberes e fazeres dos habitantes dos vales dos rios Urucuia e Carinhanha, no noroeste e norte de Minas Gerais. Propõe-se uma jornada de 150 Km, a ser percorrida a pé, em 7 (sete) dias, saindo da Vila de Sagarana, no município de Arinos­-MG, para chegar à cidade de Chapada Gaúcha. Em Sagarana, primeiro assentamento de reforma agrária da região, implantado na década de 1970, está situada a Reserva Biológica de Sagarana, onde ocorre anualmente o Festival “Sagarana: Feito Rosa para o Sertão”. Não distante dali está Chapada Gaúcha, cidade sede do Parque Nacional do Grande Sertão Veredas. Em Chapada ocorre, todo mês de julho, o “Encontro dos Povos do Grande Sertão Veredas”.

Assim, uma jornada literária “de Sagarana ao Grande Sertão” nos leva da primeira à mais importante das obras do Rosa. Propõe-se uma jornada que percorrerá parte do caminho realizado por Riobaldo em sua travessia rumo ao Liso do Sussuarão – suposto deserto do Grande Sertão:Veredas; uma jornada em terras marcadas por movimentos, deslocamentos e giros, por presenças em Travessias, a revelar que o deserto é não-­deserto, terra de um povo geraizeiro, onde natureza e humanidade estão imbricadas, Terra de cultura! É uma jornada socioambiental pela diversidade do cerrado mineiro, em que se fundem veredas, lagoas, rios, comunidades tradicionais, povoados, assentamentos de reforma agrária e grandes fazendas do agronegócio. É a oportunidade para os caminhantes despertarem o olhar para o processo de desertificação que ameaça a região e refletir acerca das mudanças necessárias para evitá-la.

Assim, propõe-se uma jornada existencial, na medida em que a travessia do sertão proporcione o encontro com as estórias de Rosa, com as estórias e histórias do povo sertanejo de Minas Gerais e, ainda, com as trajetórias e visões pessoais dos caminhantes, levando-os a refletir sobre as próprias questões e as socioambientais. Propõe-se um grande diálogo a apontar para o autoencontro de toda verdadeira caminhada. Nos dizeres do Rosa/Riobaldo, o sertão “está em toda parte”, “é do tamanho do mundo”, “não está em lugar nenhum” e “está dentro da gente”, o que revela o paradoxo humano que se reflete na Terra.

Entusiasmados, cremos que, com os horizontes ampliados pela jornada, nós, caminhantes, estaremos aptos à percepção do Sertão, do Brasil e do Mundo numa encruzilhada ­ histórica e civilizacional. Nessa encruzilhada, onde as possibilidades encontram-se abertas, a via alternativa não está dada e para que ela seja delineada, é necessária a construção de uma nova narrativa – planetária e cidadã, a partir da qual se possa encantar e mobilizar corações, corpos e mentes para o caminho que se faz ao caminhar.

Venha! Vamos pelo caminho do Ser Tão, “pelo Cerrado e suas Culturas, de pé!”